Valor da hora do arquiteto: como calcular (do recém-formado ao sênior)
O valor da sua hora não é o salário dividido por 160. Some tudo o que você precisa ganhar e gastar no mês, divida pelas horas que de fato viram projeto (as faturáveis) e, sobre esse custo, acrescente impostos e margem. A experiência muda o resultado porque muda a velocidade e o valor que você entrega, mas a conta é a mesma para todos.
"Quanto vale a hora de um arquiteto?" é uma das perguntas mais comuns de quem está começando, e de muita gente com anos de escritório. A resposta honesta é: depende do que a sua hora precisa pagar. E isso dá para calcular em 10 minutos.
O erro mais comum: dividir por 160
Um mês tem cerca de 160 horas de trabalho, mas nem todas viram projeto. Reunião, deslocamento, orçamento, administrativo, redes sociais e prospecção também ocupam o dia. Se você divide o que quer ganhar por 160, o preço sai baixo, e a diferença sai do seu bolso.
O número certo são as horas faturáveis: as que você consegue cobrar de um cliente. Para a maioria dos arquitetos, algo entre 60% e 70% das horas trabalhadas.
A conta em 3 passos
1. Quanto o mês precisa pagar
Some o seu pró-labore (o que você quer levar para casa), os salários da equipe com encargos e os custos fixos: aluguel, softwares, contador, internet, marketing, equipamentos.
2. O custo da hora
Divida esse total pelas horas faturáveis do mês.
3. O preço da hora
Divida o custo da hora por (1 − impostos − margem). A margem é o que sobra para o escritório crescer, se proteger de meses fracos e investir.
Exemplo 1: arquiteta autônoma, começando
- Pró-labore desejado
- R$ 5.000
- Custos fixos (software, contador, internet, marketing)
- R$ 1.500
- Total do mês
- R$ 6.500
- Horas faturáveis: 160 h × 60%
- 96 h
- Custo da hora: R$ 6.500 ÷ 96
- ≈ R$ 68
- Preço da hora: R$ 68 ÷ (1 − 0,06 − 0,20)
- ≈ R$ 92
- Valor da hora técnica
- ≈ R$ 90 a R$ 95
Exemplo 2: escritório com 3 pessoas
- Pró-labore do sócio + 2 salários com encargos
- R$ 22.000
- Custos fixos (aluguel, softwares, contador, marketing)
- R$ 8.000
- Total do mês
- R$ 30.000
- Horas faturáveis: 3 × 160 h × 65%
- 312 h
- Custo da hora: R$ 30.000 ÷ 312
- ≈ R$ 96
- Preço da hora: R$ 96 ÷ (1 − 0,06 − 0,30)
- ≈ R$ 150
- Valor médio da hora do escritório
- ≈ R$ 150
Júnior, pleno ou sênior: o que muda
A experiência muda o valor da hora por dois caminhos. O primeiro é a velocidade: quem já fez dezenas de projetos resolve em 2 horas o que um recém-formado leva 5. O segundo é o valor entregue: conhecer obra, fornecedores e normas evita erros que custam caro ao cliente.
- Recém-formado: a conta é a mesma, mas estime as horas com folga, porque tudo leva mais tempo no começo. Cobrar por projeto fechado protege você de virar "barato por hora".
- Pleno: já tem histórico para estimar bem as horas. Hora de registrar quanto cada projeto consumiu de verdade e ajustar o preço.
- Sênior: o preço por hora pode subir, porque a margem passa a refletir a especialização. Muitos deixam de mostrar a hora e vendem pelo valor do projeto.
Como usar o valor da hora no preço do projeto
O valor da hora é a base do preço, não o que aparece na proposta. Estime as horas de cada etapa, multiplique pelo preço da hora, some os custos diretos e apresente o resultado como um valor fechado, de preferência em três faixas. O passo a passo, com um exemplo de casa de 420 m², está em quanto cobrar por um projeto de arquitetura.
O MESH calcula a sua hora
Cadastre os custos e a equipe no Centro de Custos, e o MESH usa o custo real da sua hora em cada proposta, com as três faixas de preço. No plano grátis.
Criar conta grátis