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Precificação

Valor da hora do arquiteto: como calcular (do recém-formado ao sênior)

O valor da sua hora não é o salário dividido por 160. Some tudo o que você precisa ganhar e gastar no mês, divida pelas horas que de fato viram projeto (as faturáveis) e, sobre esse custo, acrescente impostos e margem. A experiência muda o resultado porque muda a velocidade e o valor que você entrega, mas a conta é a mesma para todos.

14 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

"Quanto vale a hora de um arquiteto?" é uma das perguntas mais comuns de quem está começando, e de muita gente com anos de escritório. A resposta honesta é: depende do que a sua hora precisa pagar. E isso dá para calcular em 10 minutos.

O erro mais comum: dividir por 160

Um mês tem cerca de 160 horas de trabalho, mas nem todas viram projeto. Reunião, deslocamento, orçamento, administrativo, redes sociais e prospecção também ocupam o dia. Se você divide o que quer ganhar por 160, o preço sai baixo, e a diferença sai do seu bolso.

O número certo são as horas faturáveis: as que você consegue cobrar de um cliente. Para a maioria dos arquitetos, algo entre 60% e 70% das horas trabalhadas.

A conta em 3 passos

1. Quanto o mês precisa pagar

Some o seu pró-labore (o que você quer levar para casa), os salários da equipe com encargos e os custos fixos: aluguel, softwares, contador, internet, marketing, equipamentos.

2. O custo da hora

Divida esse total pelas horas faturáveis do mês.

3. O preço da hora

Divida o custo da hora por (1 − impostos − margem). A margem é o que sobra para o escritório crescer, se proteger de meses fracos e investir.

Exemplo 1: arquiteta autônoma, começando

Pró-labore desejado
R$ 5.000
Custos fixos (software, contador, internet, marketing)
R$ 1.500
Total do mês
R$ 6.500
Horas faturáveis: 160 h × 60%
96 h
Custo da hora: R$ 6.500 ÷ 96
≈ R$ 68
Preço da hora: R$ 68 ÷ (1 − 0,06 − 0,20)
≈ R$ 92
Valor da hora técnica
≈ R$ 90 a R$ 95
Números de exemplo: 6% de imposto e 20% de margem.

Exemplo 2: escritório com 3 pessoas

Pró-labore do sócio + 2 salários com encargos
R$ 22.000
Custos fixos (aluguel, softwares, contador, marketing)
R$ 8.000
Total do mês
R$ 30.000
Horas faturáveis: 3 × 160 h × 65%
312 h
Custo da hora: R$ 30.000 ÷ 312
≈ R$ 96
Preço da hora: R$ 96 ÷ (1 − 0,06 − 0,30)
≈ R$ 150
Valor médio da hora do escritório
≈ R$ 150
Números de exemplo: 6% de imposto e 30% de margem.

Júnior, pleno ou sênior: o que muda

A experiência muda o valor da hora por dois caminhos. O primeiro é a velocidade: quem já fez dezenas de projetos resolve em 2 horas o que um recém-formado leva 5. O segundo é o valor entregue: conhecer obra, fornecedores e normas evita erros que custam caro ao cliente.

  • Recém-formado: a conta é a mesma, mas estime as horas com folga, porque tudo leva mais tempo no começo. Cobrar por projeto fechado protege você de virar "barato por hora".
  • Pleno: já tem histórico para estimar bem as horas. Hora de registrar quanto cada projeto consumiu de verdade e ajustar o preço.
  • Sênior: o preço por hora pode subir, porque a margem passa a refletir a especialização. Muitos deixam de mostrar a hora e vendem pelo valor do projeto.

Como usar o valor da hora no preço do projeto

O valor da hora é a base do preço, não o que aparece na proposta. Estime as horas de cada etapa, multiplique pelo preço da hora, some os custos diretos e apresente o resultado como um valor fechado, de preferência em três faixas. O passo a passo, com um exemplo de casa de 420 m², está em quanto cobrar por um projeto de arquitetura.

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