MESH.hub
EntrarTestar grátis
Blog
Contratos

Contrato de arquitetura: o que precisa ter (8 cláusulas que protegem o escritório)

Um bom contrato de arquitetura diz exatamente o que está incluído, quantas revisões o cliente tem, como e quando ele paga, o que acontece se atrasar ou desistir, e de quem são os direitos sobre o projeto. A maioria das brigas com cliente nasce de algo que o contrato não disse.

14 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Muitos escritórios começam o projeto com um aperto de mão, uma troca de mensagens ou um contrato genérico baixado da internet. Funciona até o dia em que o cliente pede a quarta revisão, atrasa a parcela ou desiste no meio do executivo. Aí, o que vale é o que está escrito.

Estas são as oito cláusulas que mais evitam dor de cabeça, com exemplos de como redigir cada uma.

1. Objeto e escopo: o que está e o que não está incluído

Descreva o serviço etapa por etapa e liste os entregáveis de cada uma. Tão importante quanto o que está incluído é o que não está: projetos complementares (estrutural, elétrico, hidráulico), aprovação na prefeitura, acompanhamento de obra, maquete ou renders extras.

Exemplo de redação
O presente contrato tem por objeto a elaboração do projeto de arquitetura de residência unifamiliar, nas etapas de estudo preliminar, anteprojeto e projeto executivo. Não estão incluídos os projetos complementares de estrutura, instalações elétricas e hidrossanitárias, nem o acompanhamento da obra, que poderão ser contratados à parte.

2. Revisões incluídas

Defina quantas rodadas de revisão cada etapa inclui e o que conta como revisão (ajustar o que foi apresentado) e o que é mudança de escopo (pedir algo novo). Diga também quanto custa a revisão extra, por hora técnica ou por valor fixo. Sem isso, a "mudancinha" vira trabalho de graça. Para chegar ao valor da hora técnica, veja como calcular o valor da hora do arquiteto.

3. Honorários e forma de pagamento

  • Valor total e como ele se divide: uma entrada na assinatura e as demais parcelas vinculadas à entrega de cada etapa, e não a datas soltas.
  • Formas de pagamento aceitas (Pix, boleto, cartão) e o vencimento de cada parcela.
  • O que acontece em caso de atraso: multa e juros, e a possibilidade de pausar o trabalho até a regularização.
  • Reajuste, se o projeto for longo: o índice e a periodicidade.

4. Prazos, e o que depende do cliente

Coloque um prazo para cada etapa, contado a partir da aprovação da etapa anterior. E deixe claro que o prazo fica suspenso enquanto o escritório espera algo do cliente, como uma aprovação, um documento ou uma decisão. Um prazo para o cliente aprovar (por exemplo, 5 dias úteis) evita projetos parados por meses.

5. Direitos autorais e uso do projeto

Projetos de arquitetura são obras protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998, art. 7º, X). O contrato deve dizer que o cliente recebe uma licença de uso para aquela obra específica, e não o direito de repetir o projeto em outro terreno. A lei também permite ao autor recusar a autoria de um projeto alterado sem o seu consentimento (art. 26).

Aproveite para incluir a autorização para fotografar a obra pronta e usar as imagens no seu portfólio e nas redes sociais. É o tipo de detalhe que ninguém lembra de pedir depois.

6. Responsabilidade técnica (RRT) e limites

Todo trabalho de arquitetura precisa de Registro de Responsabilidade Técnica, o RRT, no CAU (Lei 12.378/2010, art. 45). O contrato pode prever quem emite o RRT e quando. Veja o que é o RRT e como emitir.

Deixe claro também o que é responsabilidade de quem: o projeto é do escritório, e a execução da obra é do construtor ou empreiteiro contratado pelo cliente. Acompanhar a obra, quando contratado, não é o mesmo que administrá-la nem executá-la.

7. Alterações e serviços extras

Toda alteração fora do escopo deve ser pedida, orçada e aprovada por escrito antes de começar, com valor e impacto no prazo. Uma mensagem de WhatsApp com o "ok" do cliente já é um registro. O que não pode é fazer primeiro e cobrar depois.

8. Rescisão

Diga como cada parte pode encerrar o contrato (com aviso prévio, por exemplo de 15 dias) e quanto é devido nesse caso: as etapas entregues e a parte proporcional da etapa em andamento. Defina também o que acontece com os arquivos e com o direito de uso do que já foi feito.

Exemplo de redação
Este contrato pode ser rescindido por qualquer das partes mediante aviso prévio por escrito com 15 dias de antecedência. Em caso de rescisão, o contratante pagará pelas etapas já entregues e, de forma proporcional, pela etapa em execução na data do aviso.

Mais três cuidados

  • Assinatura eletrônica vale. A lei brasileira aceita a assinatura eletrônica quando as partes concordam com o meio usado (Medida Provisória 2.200-2/2001). Guarde o registro de quem assinou, quando e de onde.
  • Proteção de dados. Uma cláusula sobre a LGPD (Lei 13.709/2018) mostra como os dados do cliente serão usados.
  • Comunicação. Diga quais canais valem para avisos e aprovações (e-mail, WhatsApp) e qual o foro em caso de disputa.

Contrato pronto a partir da proposta

No MESH, o contrato nasce da proposta aprovada, com escopo, valores e cláusulas de prazos, rescisão, direitos autorais e LGPD. O cliente assina pelo link, com um código enviado por e-mail, e a assinatura fica registrada.

Testar grátis por 7 dias
Leia também